
Com Elijah Wood, Sean Astin, Ian McKellen, John Rhys-Davies
e Viggo Mortensen, realização de Peter Jackson (2002)
TRAILER
Outros Comentários:
Crítica de Joaquim
Lucas
Crítica de Pedro Serra

78% *****
11% ****
07% ***
00% **
04% * |
Antes de mais, uma pergunta, mais que qualquer
outra, sobressai face a este “As Duas Torres”: como rivalizar
com a mestria do anterior “A Irmandade do Anel”? Creio, de facto,
que são filmes totalmente distintos – se “A Irmandade do Anel”
era um filme introdutório, estruturado em várias camadas de
filme-aventura, este “As Duas Torres” é um filme de guerra medieval,
com uns pulmões épicos vigorosos e incansáveis.
“A Irmandade do Anel” tinha-nos deixado, precisamente, num “cliff-hanger”,
com a irmandade dividida: Aragorn, Legolas e Gimli partiam em
busca dos dois Hobbits – Merry e Pippin – raptados pelo gang
de selvagens Uruk-Hai; e Frodo e Sam com o pesado fardo de carregar
o Anel até às fornalhas infernais de Mordor. Sendo este o capítulo
do meio, há que encará-lo como uma ponte: entre a introdução
do universo e a conclusão narrativa.
Assim, há novas personagens introduzidas, novos lugares e, claro,
novas regras – a formalização dos Ents, por exemplo, é muitíssimo
bem-conseguida (por certo, os leitores ávidos de Tolkien estarão
salivantes por confirmar a verosimilhança do que tinham já imaginado).
Em termos muito breves – e ainda contagiado pelo esfusiante
entusiasmo que me assaltou durante e após o visionamento de
“As Duas Torres” – creio que estamos perante um filme com uma
dimensão de raro espectáculo e impressionante compressão megalómana.
Digno, também, de registo é a personagem do esquizofrénico Gollum,
provavelmente a criatura digital mais perfeita alguma vez criada.
A última hora de “As Duas Torres” é um fenómeno visual esmagadoramente
apocalíptico e caoticamente hipnótico. Ao mesmo tempo que serve
de compêndio exemplar do seu homónimo literário, é também uma
variação de Peter Jackson de acordo com a sua própria visão
– confirmando (e relembrando!) o valor da expressão “adaptação
cinematográfica”.
Em termos comparativos, não posso afirmar com segurança, mas
creio que este segundo filme é ainda mais portentoso que “A
Irmandade do Anel”. Precioso, sem dúvida.
Classificação: *****
Crítica de Tiago
Pimentel |