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Comentários : Spirit - Stallion of the Cimarron (Spirit - Espírito Selvagem)


Com Matt Damon, James Cromwell, Daniel Studi e Charles Napier, realização de Kelly Asbury e Lorna Cook (2002)

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Outros Comentários:

Crítica de Tiago Pimentel
SPIRIT, UMA LENDA DO OESTE AMERICANO

A mais recente aposta da «Dreamworks Pictures» centra-se nas raízes históricas e culturais dos Estados Unidos da América e, neste país de imigrantes, desta vez o herói não é alguém vindo das distantes Irlanda ou Itália, o herói é uma criatura genuinamente americana. Ele é Spirit de seu nome próprio. Ele, o herói, é um enérgico, brioso e indomável cavalo “mustang”.

Centrado em finais do Séc. XIX, numa altura fulcral da conquista e colonização do inóspito e selvagem oeste de cujas epopeias e depois de espremida muita da sua lendária descrição nos ficou parte preciosa da história americana, este filme animado tem momentos em que chega a lembrar os fabulosos e meio abstractos “western” de John Ford. Isto, apesar de sermos obrigados a reconhecer que parte fundamental das potencialidades de «Spirit – Espírito Selvagem» se objectiva e circunscreve ao público mais jovem.

Àqueles que terão pouco mais de um metro de altura e, de cabelo em desalinho, pendurados nas cadeiras da sala de cinema e olhos brilhantes no escuro, irão certamente vibrar com a audaciosa coragem de Spirit. Filmado em “cinemascope” de modo a permitir uma correcta exposição na tela da grandiosidade visual das paisagens de um oeste americano virgem, por desbravar, o filme resulta das mais recentes sinergias entre a animação tradicional e a tecnologia mais moderna que permite por exemplo a discreta passagem de cenas em 2 D para as 3 D.

Por outro lado, as vozes e canções também na versão original foram gravadas apenas depois de terminada toda a animação, dando-lhe por isso um carácter mais universal tendo em conta que este é um género fílmico de necessária dobragem para a língua natal dos países onde se exibe dado o tipo de público a que se destina maioritariamente. Neste aspecto particular, realce-se que os animais neste filme não falam. A narração – pela voz de Mat Damon na versão original – exprime simplesmente os pensamentos de Spirit, enquanto as canções, na versão original interpretadas por Brian Adams e na versão portuguesa por Olavo Bilac, tenderão a revelar as emoções do nosso herói.

Quanto à versão portuguesa, refira-se as extraordinárias semelhanças de timbre entre as vozes de Bilac e de Brian Adams. «Spirit – Espírito Selvagem» demonstra no entanto claras limitações no seu argumento, nomeadamente a incapacidade de exercer algum arrojo criativo que pudesse redimensionar as já referidas potencialidades no sentido de captar um público mais adulto e mais exigente. Ainda assim, o facto de Spirit ficar em determinado momento do filme cativo da Cavalaria Americana, que representará o invasor que põe em causa a liberdade que se vivia naquele mundo selvagem, e embora nunca se deixando domar a amizade que nasce entre o “mustang” e Little Creek, um índio Lakota que simbolizará a combatividade desse mundo selvagem, são pormenores ricos da narrativa e a ter em conta na sua extensão intelectual e capacidade de alargar conhecimentos.

E as crianças que virem o filme acompanhadas pelos pais, certamente que não deixarão passar igualmente a oportunidade de os questionarem acerca da chegada dos caminhos de ferro, dos comboios, à terra de Spirit. Quanto ao destemido Spirit, no meio de tantas vicissitudes que os novos usurpadores do seu território lhe provocam, quem sabe não virá ele mesmo a encontrar o amor!? Talvez surja por aquelas bandas uma sexy e longilínea égua de pernas insinuantes e crina sedutora, senhora do seu nariz mas de olhar meigo, capaz de o enlevar e, finalmente, domar.

Classificação: **

Crítica de Joaquim Lucas
 
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