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Comentários : Chicago


Com Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, Queen Latifah e John C. Reilly, realização de Rob Marshall (2002)

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Outros Comentários:

Crítica de Joaquim Lucas


O Musical Morreu?

É um pouco desconcertante apercebermo-nos de como um objecto tão fraquinho consegue arrancar reacções tão entusiásticas nos EUA. Possivelmente vivem-se tempos de euforia, à medida que se anuncia o renascimento do musical (foi assim o ano passado com «Moulin Rouge). Sem querer entrar em conclusões demasiado generalistas, devo dizer que me parece haver uma enorme precipitação por parte da cinefilia norte-americana em eleger, de pronto, qualquer musical que apareça. Como se estivéssemos numa corrida messiânica em busca de um revivalismo impossível de recuperar (ou, pelo menos, não desta forma).

«Chicago» não tem uma identidade enquanto objecto cinematográfico, nem um conceito de ritmo e montagem adequados. Até pode parecer que no palco aquilo resulte, mas não basta filmar uma peça da Broadway para, de repente, confundirmos as fronteiras que definem o cinema. É um filme basilado num equívoco: oscilar entre o palco e a realidade de uma forma perfeitamente arbitrária e inconsequente. «Chicago» acaba por ser uma sucessão mais ou menos segmentada de vários actos musicais sem a presença de um corpo.

Destaque apenas para os números das marionetas e para o sapateado de Richard Gere que, pontualmente, exala uma aura emprestada por um Gene Kelly. O excesso de nomeações (13!) de «Chicago» para os Óscares obriga-me a pensamentos um pouco perturbantes: primeiro, pensar que «Gangs of New York», apesar de pouco consensual, não vai ganhar face a este mais aclamado objecto; segundo, observar que «O Senhor dos Anéis - As Duas Torres» foi nomeado apenas para fazer número, como se essa categoria estivesse já pré-definida; e, terceiro, constatar que a Dreamworks poderia ter levado o seu «Catch Me If You Can» mais longe com um pouco de esforço promocional.

Enfim, todas estas análises acabam por ser secundárias, mas a imposição de «Chicago» no panorama cinéfilo actual parece-me revelador de um equívoco tremendo que está a contaminar a crítica e o público americano. Não é, assim, de admirar que se fale muito na morte dos musicais - a nossa sorte vai sendo a existências de objectos sublimes como «Dancer in the Dark» (ah pois, também é um musical. Deste é que ninguém se lembra...)

Classificação:*

Crítica de Tiago Pimentel
 
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